cinema
Sweet Movie – Dusan Makavejev (1974)
Ultimamente ando sem saco para cinema, são poucos os diretores que me tiram de casa...David Lynch, Jim Jarmusch, John Cassevetes. Tenho preferido ficar em meu bunker, com meu exército de DVDs e VHSs, onde não preciso enfrentar nenhuma fila e não corro o risco, por mais que eu desvie, de ser atingido por aquelas conversinhas típicas dos freqüentadores da Mostra Internacional de Cinema. Na minha estante figuram filmes como Sweet Movie, do iugoslavo Dusan Makavejev, uma das obras mais transgressores que já vi. Sua gramática anárquica e seu conteúdo que transforma sexo em política e política em sexo é uma ode libertária e um afronte tanto ao capitalismo quanto ao comunismo. O primeiro é representado por um industrial do açúcar, um exibicionista que ostenta sua potência por meio de um pênis revestido de ouro. O segundo por um barco cuja proa ostenta uma estátua com a representação da cabeça de Karl Marx, uma embarcação que vaga sem rumo. Makavejev constrói cenas desconcertantes, destruindo dogmas morais e políticos, sem, contudo, apresentar a intenção de chocar. Numa delas, uma mulher dança seduzindo um menino, em outra, o diretor presenteia o espectador com um banquete regado a merda. Sweet Movie definitivamente faz parte de minha Mostra Permanente de Cinema de Todos os Tempos.

