31/10/07

cinema
Sweet Movie – Dusan Makavejev (1974)
Ultimamente ando sem saco para cinema, são poucos os diretores que me tiram de casa...David Lynch, Jim Jarmusch, John Cassevetes. Tenho preferido ficar em meu bunker, com meu exército de DVDs e VHSs, onde não preciso enfrentar nenhuma fila e não corro o risco, por mais que eu desvie, de ser atingido por aquelas conversinhas típicas dos freqüentadores da Mostra Internacional de Cinema. Na minha estante figuram filmes como Sweet Movie, do iugoslavo Dusan Makavejev, uma das obras mais transgressores que já vi. Sua gramática anárquica e seu conteúdo que transforma sexo em política e política em sexo é uma ode libertária e um afronte tanto ao capitalismo quanto ao comunismo. O primeiro é representado por um industrial do açúcar, um exibicionista que ostenta sua potência por meio de um pênis revestido de ouro. O segundo por um barco cuja proa ostenta uma estátua com a representação da cabeça de Karl Marx, uma embarcação que vaga sem rumo. Makavejev constrói cenas desconcertantes, destruindo dogmas morais e políticos, sem, contudo, apresentar a intenção de chocar. Numa delas, uma mulher dança seduzindo um menino, em outra, o diretor presenteia o espectador com um banquete regado a merda. Sweet Movie definitivamente faz parte de minha Mostra Permanente de Cinema de Todos os Tempos.

14/10/07

lançamento



No próximo dia 25 de outubro, na biblioteca Alceu Amoroso Lima (rua Henrique Schaumann, 777 – São Paulo), a editora Éblis lançará 51 Mendicantos, livro de estréia do poeta santista Paulo de Toledo.

Contando com ilustrações de Sandro Saraiva, 51 Mendicantos se constrói em frames que se duplicam, se contrastam, se justapõem, como em postais das grandes cidades do mundo globalizado, seja São Paulo ou Nova Iorque. Mas o fotógrafo não é o poeta, mas sim um seu igual, um seu irmão: o mendigo que curtia rap / e que um dia já fora hippie... Eis o poeta dos 51 Mendicantos que, numa certa monotonia proposital, forma um painel em P&B, uma grande colagem feita com o lixo que soterra (no lixão um mesquinho minidicionário / mostra ao mendigo que a miséria / infelizmente vem antes da misericórdia.) e o luxo que debocha (de calcinha a musa no outdoor / olha pro mendigo que acusa / com a mão toda a sua dor) dos moradores anônimos das calçadas e pontes urbanas.

Paulo de Toledo (www.paulodtoledo.blog.uol.com.br) tem trabalhos publicados em vários sites e publicações literárias, como Babel, Cult e Coyote. Participou da edição crítica de Catatau, de Paulo Leminski (Travessa dos Editores, 2004) e foi vencedor do V Projeto Nascente (USP/Editora Abril).

A Editora Éblis, capitaneada pelos poetas Ronald Augusto e Ronaldo Machado, que estarão no lançamento apresentando a editora e também lendo seus poemas, tem como proposta editorial uma idéia simples e impertinente: a edição de livros de poesia. O foco da nova editora é pôr em circulação a poesia que não se contenta com a corriqueira satisfação da moeda literária vigente, que cai, ora com a cara cult, ora com a coroa provinciana. Longe de bairrismos e puritanismos, sempre confrontados pelos poetas-editores, Éblis joga sobre a mesa uma nova moeda, revendo assim a economia poética contemporânea. Por isso, a escolha em editar o livro de Paulo de Toledo.