03/12/07

Disco



Bad Music for Bad People - The Cramps

Lembro deste disco lá do final dos anos 80, quando andava pela galeria fudido de grana. Quadrinhos, por exemplo, eu tinha que escolher uma entre inúmeras séries bacanas que pipocavam na época, senão a grana não dava. Monstro do Pântano, Orquídeas Selvagens, Lobo Solitário, Moon Shadow, Sin City...fiquei com Sandman de Neil Gaiman e Dave Mckean, a única que consegui colecionar na época. O disco era importado e caro pra cacete, então ficava só na vontade mesmo. Babava no desenho de Stephen Blickenstaff, que compõe uma das mais belas capas de disco. Só depois de muito tempo consegui comprá-lo, já na versão em CD. Bad Music for Bad People é um verdadeiro petardo. Logo de cara, abre com “Garbage Man”, clássico da banda. Depois a dupla de malucos Lux Interior e Poison Ivy, devidamente “mal” acompanhados pelos não menos maníacos Congo Powers (que depois foi tocar no Bad Seeds de Nick Cave), Bryan Gregory e Nick Knox, desfila pedradas como “New Kind Of Kick”, “Love Me”, “I Can’t Hardly Stand It”, “She Said”, “Goo Goo Muck”, “Save It”, “Human Fly” (outro classicão), “Drug Train” (divertidíssima! Lux canta com o microfone enterrado na boca), “TV Set”, fechando com “Uranium Rock”. Nas letras o humor negro de sempre, inspirado por filmes B de Horror, histórias sangrentas, quadrinhos e serial killers de toda a sorte. O próprio logo da banda é baseado no da revista de terror Cripta. O som tem muito dos anos 50, das bandas de garagem como Sonics, de surf music à Trashmen, pitadas de blues e a sujeira do punk rock. Ingredientes que ajudaram o Cramps criar o estilo chamado Psichobilly. O disco traz um frescor e uma crueza de arrasar quarteirão e levantar defunto, pra usar dois clichês, mas neste caso, extremamente adequados. Das faixas ecoa aquela velha fúria juvenil, que sempre renasce em nós, num rock’n’roll divertido e destruidor que te faz sentir vivo.
Ouvir Bad Music for Bad People é como tomar um comprimido de anfetamina.