20/03/08

LIVROS PARA DOWNLOAD



Depois de
carne viva de Marcelo Sahea, outro ótimo livro de poemas para download gratuito nesse mundão da world wide web, trata-se de das infimidades, do mineiro Leo Gonçalves. Por coincidência, Leo é também um dos nomes presentes no especial sobre Poesia que a Etcetera publicou em sua 18ª edição (clique aqui para conferir). Para baixar é só clicar aqui Publico abaixo o texto que escrevi sobre o livro:

das infimidades (2004, Edições in vento) – Leo Gonçalves

É um grande prazer folhear das infimidades, primeiro livro de poesia de Leo Gonçalves, mineiro de Belo Horizonte que também publicou traduções de Canções da Inocência e da Experiência, de William Blake (Crisálida, 2005, em parceria com Mário Alves Coutinho), Isso, de Juan Gelman (UnB, 2004, em parceria com Andityas Soares de Moura) e a comédia O doente imaginário de Molière (Crisálida, 2002). Uma edição pocket impressa em topografia que lembra muito os livrinhos marginais de Plínio Marcos. A escolha pelo artesanal, pelo alternativo, não é gratuita. A poesia do autor se evidencia através de um humor sutil, da ironia, da urbanidade, do detalhe. Flaneur que colhe fragmentos no dia-a-dia da cidade. Apanhador do ínfimo, do pequeno, do pouco.

Poemas curtos que se assemelham ao haicai, sem, no entanto, o mesmo rigor formal, são a tônica em das infimidades. Leo Gonçalves flerta com a poesia marginal, sobretudo Leminski, Chacal e Cacaso, seu texto tem como marca o frescor, a espontaneidade. Muitas vezes o ritmo de seus poemas se aproximam da canção. Existe uma certa coloquialidade em sua poesia, um descuido proposital, aquela aura vadia, vira-lata, livre e descompromissada que confere leveza ao trabalho. Há construção, claro, mas a principal matéria usada pelo poeta para engendrar seus textos é o acaso, ou melhor definindo, a elaboração do acaso.


Outro livro para baixar gratuitamente é Sereias de Bengala, novo do escritor carioca radicado na Suécia, Jorge Cardoso. Este, porém, só foi lançado virtualmente. Uma bela iniciativa da pequena grande editora Baleia .

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16/03/08

POEMA ILUSTRATIVO




O poeta Paulo de Toledo "ilustrou" com um puta texto um de meus desenhos. No final do ano passado, ilustrei a primeira coletânea de poemas do meu parceiro corinthiano, o ótimo 51 Mendicantos (editora Éblis). O curioso nessa parceria é que Paulo é de Santos, mas é corinthiano roxo e eu nasci em São Paulo, mais precisamente no bairro do Tatuapé, mas sou Santos F.C. de glórias mil.


10/03/08



estado profundo de melancolia






kazuo ono





máscara & headphone




04/03/08

REVISTAS ELETRÔNICAS

O Diário de Maringá publicou em seu caderno de cultura uma matéria bem interessante sobre revistas eletrônicas. Estão lá o Cronópios, a Germina e a Etcetera, revista que edito com o Douglas J. Silva. O texto ficou bacana, só faço uma pequena observação: não me defino como animador cultural, só respondi a pergunta sobre qual era minha profissão, e é isso o que faço atualmente. Nunca me defini como porra nenhuma. Eis o texto:

D+ | Literatura | Atualizado Domingo, 27/01/2008 às 02h00

Sobre livros e cliques
Sites e blogs independentes sobre literatura ocupam o vazio deixado pelas antigas revistas e suplementos literários; editores dizem que publicam o que gostariam de ler

Thiago Alonso
alonso@odiariomaringa.com.br

Na mesma medida em que revistas tradicionais - ou nem tanto - sobre literatura desaparecem das bancas e das livrarias do País, novos sites e blogs sobre livros surgem a cada dia na internet. Antes, é bom distingüir que tipo de revista (ou impresso) sobre literatura temos (ou tínhamos, talvez deva ser este o tempo do verbo). Há aquele que é encartado em jornais, em cadernos culturais ou como suplementos literários, e que têm uma preocupação assumidamente mercadológica. Não é raro, portanto, que se encontre nos suplementos sobre livros comentários sobre os mesmos assuntos, afinal, quem dita as regras é o mercado. Um dos exemplos era a revista EntreLivros, que encerrou sua atividades em dezembro do ano passado.

Em um viés contrário, as revistas literárias são bem mais abertas às novidades, sem se prender aos modismos e assuntos que ditam a pauta do jornalismo diário. Os temas são mais abertos, não pautados pelo comercial, abrangendo um leque de idéias que, em um primeiro momento, não teriam espaço. Além disso, nomes desconhecidos do grande público geralmente aparecem na autoria dos textos. Embora os tipos de publicação tratem de literatura, as diferenças são enormes, tanto para quem lê quanto para quem edita esse tipo de material. Um outro traço em comum une as revistas literárias (que é um reflexo do mundo contemporâneo): geralmente são publicadas na internet.

Essa, no entanto, não é a única semelhança entre essas publicações, que reúnem novos escritores entre seus leitores e colaboradores. Sandro Saraiva, de 34 anos, é graduado em Letras, pós-graduado em literatura contemporânea e define-se como animador cultural. Ele é um dos editores da revista Etcetera (http://www.revistaetcetera.com.br/) e diz que o leitor de revistas eletrônicas é um tipo de pessoa que não fica esperando a informação, mas corre atrás dela. "Nunca fizemos pesquisa de perfil, mas pelos e-mails e comentários postados na rede, percebemos que é variado; de escritores a estudantes, de curiosos a professores universitários", diz.

Para Edson Cruz, de 48 anos, que além de editor e revisor da Revista Cronópios (http://www.cronopios.com.br) tem formação em Psicologia, Música e está cursando Letras, saber o perfil do leitor de revistas literárias na internet é difícil, justamente pelo meio onde é publicada. "A internet é uma terra de ninguém. Você nunca sabe quem está observando", diz, afirmando que a massa que dos leitores da Cronópios é formada por escritores, pessoas que estão se iniciando na literatura ou aqueles que têm a curiosidade de saber o que está acontecendo de novo na produção. Já a Germina Literatura tem sob seu comando a advogada Mariza Lourenço e a socióloga e redatora Silvana Guimarães. Elas concordam que aqueles que lêem a Germina são, em sua maioria, escritores e poetas.

Nenhuma dessas revistas lucra com a iniciativa. Na verdade, apesar de publicadas na internet, têm despesas e muito trabalho, já que para organizar todo o material recebido é necessário tempo. Sandro Saraiva, da Etcetera, diz que a revista surgiu em 2001, inspirada nos fanzines com a atitude do it your self. O desejo era publicar um conteúdo sobre cultura e arte. "É aquela velha história: publicar uma revista que gostaríamos de ler", diz Saraiva.

A Cronópios teve o mesmo início. "O site surgiu porque sentimos a necessidade de fazer algo bacana, lúdico, sem o siso que costumamos ver em revistas e sites literários por aí", diz o editor do site Edson Cruz. Já a Germina Literatura (http://www.germinaliteratura.com.br/) começou como uma seção em um outro site, no ano de 2003. Depois de reformulações, virou revista em 2005. As editoras Mariza Lourenço e Silvana Guimarães explicam que o propósito é o mesmo: "divulgar literatura, estimular o debate. Hoje, possuímos um grande acervo de obras de escritores, poetas e especialistas".

Pluralidade é a palavra
Conteúdo das revistas eletrônicas de literatura é pautado muito mais por busca da diversidade e desejo de liberdade do que por razões de mercado

Thiago Alonso
alonso@odiariomaringa.com.br

A principal característica da revista literária eletrônica é a pluralidade e liberdade com que tratam a literatura. Na maioria deles, o que pauta é qualidade do que é publicado, não a época, o lugar de nascimento ou o sobrenome do autor. Muito menos razões mercadológicas. São publicações mais democráticas. A Etcetera, por exemplo, especializou-se em autores menos conhecido.

"Publicamos autores underground, entendendo o underground como linguagem e não simplesmente como meio de produção. A questão de gênero e época pra nós é uma idéia morta. Entendemos literatura como algo vivo, pulsante, mesmo estando falando de autores como Augusto dos Anjos, por exemplo. Selecionamos o material que tenha a ver com nossa linha editorial e que, em nossa opinião, tenha adequação entre forma e conteúdo, simples assim", diz o editor Sandro Saraiva.

A Cronópios é ainda mais livre, basta a disposição em colaborar, garante seu editor. "[Publicamos] todos os autores e gêneros. Claro que os que aceitarem colaborar, pois não temos patrocínio nenhum e não podemos pagar nada. Aliás, só gastamos...", revela Edson Cruz. Já para a Germina, a literatura contemporânea é o carro-chefe. "Não discriminamos gêneros literários ou sua época, mas privilegiamos a literatura e a arte contemporânea. Recebemos colaborações periódicas (e graciosas) de escritores, poetas, jornalistas, artistas plásticos, músicos", diz Silvana Guimarães.

"Em nossa seção de autores, publicamos novos talentos ao lado de escritores e poetas reconhecidos pelo público. A seleção fica por nossa conta, às vezes, assessorada por especialistas que compõem o nosso conselho editorial informal", explica a co-editora da Germina.
Com iniciativas como a das revistas literárias na internet, a literatura tem seu espaço garantido. Basta o leitor ir atrás.

Como é o mercado de revistas literárias eletrônicas no Brasil? Existe a possibilidade de ganhar dinheiro?

Sandro Saraiva (Etcetera): Boa pergunta. Se existe possibilidade de ganhar dinheiro, ainda não descobrimos qual é, mas com certeza deve existir. Não saberia te dizer, talvez através de leis de incentivo, apoios culturais, etc., se consiga manter bem uma revista eletrônica com pessoas recebendo pelo trabalho que fazem. Não vislumbro um mercado propriamente dito, pode até ser que exista um, mas ainda não fomos apresentados a ele.

Edson Cruz (Cronópios):
Obviamente, tem crescido muito. E isso é bom. Os sites, ou revistas eletrônicas, estão se aprimorando, usando mais e melhor os recursos da web. Hoje em dia já não vale colocar textos em Word num site feito sem apuro e sem pegada conceitual. O Cronópios veio para contribuir com esta mudança.

Mariza Lourenço e Silvana Guimarães (Germina): Não possuímos informações confiáveis sobre o mercado de revistas literárias. Não há um mecanismo de controle eficiente, que possa demonstrar quantas são, na verdade. Volta e meia, temos notícias de revistas que surgem e revistas que acabam, porque não se sustentam. Nossa análise, portanto, fica restrita àquelas que já conhecemos, em geral, de propriedade de editores conhecidos. Nesse nicho, ousamos dizer, que o mercado eletrônico literário está bem servido. As que já se firmaram, são excelentes.

A internet tende a tomar lugar do impresso?

Sandro Saraiva: Não.

Edson Cruz: Acho que cada vez mais. Nos Estados Unidos 70% da publicidade feita em jornais e revistas já migraram para a internet. Isso é significativo. Com o avanço da tecnologia e monitores mais adaptados para transporte e leitura, as publicações em papel vão diminuir sensivelmente. Pelo menos as árvores sairão agradecidas...

Mariza Lourenço e Silvana Guimarães: Acreditamos que a curto ou médio prazo, não. A Internet é uma mina de meios preciosos para a divulgação da literatura, sejam visuais ou auditivos, que permitem, por exemplo, que um poema dance na tela. Existem coisas lindas por aí. Que, no entanto, mesmo quando mais rápidas, ainda são lentas para o leitor mais impaciente. Às vezes, cansativas, por excesso de imagens e/ou efeitos especiais.

Ela é um bom suporte para quem nunca foi publicado e para quem busca divulgar o que publicou no papel. Mas a maioria, conforme já constatamos, prefere a palavra escrita. Há aqueles, inclusive, que sentem falta do "cheiro" do livro, ou ressentem-se da impossibilidade de usar o "tato" para folhear o papel. É uma questão absolutamente cultural, não é mesmo? E que demora muito a mudar.

Quais são as despesas desse tipo de revista e como fica a questão de custos?

Sandro Saraiva: No caso da Etcetera, nossa única despesa é com o provedor. Em torno de 40 reais por mês.

Edson Cruz: Os custos são divididos pelo Pipol [o outro editor da revista] e por mim. Custos de provedor, banda larga. Fora as horas diárias de trabalho, troca de emails, revisão, ilustração, gravação de entrevistas, produção de programas, edição dos programas, etc...

Mariza Lourenço e Silvana Guimarães: Nossas despesas referem-se unicamente ao pagamento de domínio e hospedagem do site, e, excepcionalmente, ao pagamento de algum serviço especializado para a confecção de uma página que, porventura, use linguagem que não seja de nosso conhecimento. De resto, as editoras fazem tudo (de graça).

03/03/08

[SUB]

Sempre fui um fanzineiro inveterado. Mesmo com o advento da internet, não perco a mania. Não importa a mídia, impressa ou eletrônica, tô sempre atento às publicações. Gosto de zine virtual ou em xerox, off-set ou seja lá o que for. O lance do "do it your self" sempre me atraiu, a liberdade de criar seu próprio veículo de (in)formação. Nos 90 publiquei alguns e participei de outros, depois dei uma parada. Só que o negócio é contagioso e incurável, quem já fez sabe bem o quão é difícil se livrar da "doença". Então em 2004, saí de vez da abstinência e criei o e-zine [sub]. O número um vem "encartado" na revista Etcetera, edição 17. O segundo, na edição atual de número 22.

Pra quem quiser conhecer, basta clicar na capa:


número um


número dois

CARNE VIVA




O poeta Marcelo Sahea acaba de disponibilizar para download seu carne viva. Na minha opinião, trata-se de um livro indispensável.

Na 18ª edição da revista Etcetera, escrevi um texto sobre o livro num especial de poesia que trazia, entre outros, nomes como Marcelo Montenegro, Makely Ka, Paulo de Toledo, Sergio Mello e Leo Gonçalves. Aproveito o relançamento eletrônico para publicar o texto neste cabaré. Quem quiser conferir o especial é só dar um pulo aqui.

Para baixar o livro gratuitamente, dá uma clicada aqui ó.

carne viva (2003, edição do autor) – Marcelo Sahea

O segundo livro de Marcelo Sahea carne viva vem embrulhado numa gaze, na capa (um desenho de Pietro da Cortona) uma mulher abre gentilmente seu ventre, a tarja vermelha, igual embalagem de remédio, completa a composição. Logo de cara Sahea dá contornos de livro-objeto à publicação. Invólucro extremamente coerente ao conteúdo, pois se trata de poesia viva e pulsante que extrapola as páginas do livro. A impressão em vermelho remete a Nietzsche: “De tudo aquilo que é escrito, me faz gosto de fato apenas aquilo que alguém escreve com sangue. Escreva com sangue e haverás de experimentar que sangue é espírito”.

A sugestão plástica inicial é poderosa, assim como toda a composição do livro.

Já nos primeiros poemas somos convidados a penetrar a ferida aberta, o âmago de sua poesia, o parto (criação) se transforma em porta (fruição). O concretismo é uma forte referência, engana-se, no entanto, quem pensar aqui em poesia concreta como hermetismo. O rigor formal de carne viva jamais torna seu texto difícil, inacessível, pelo contrário, a concisão, a exatidão de sua poesia busca a essência da linguagem. Não há espaço para o excesso, Sahea é um minimalista, um escultor da palavra que lapida e reinventa o fazer poético. É justamente nessa essencialidade que reside a força de sua poesia.

Verdadeiros achados compõem carne viva , como o poema “tabu”, onde a palavra tabu encontra-se dentro da palavra buceta, o poema “guarDAR”, em que o poeta aponta dois significados antagônicos coexistindo placidamente na mesma palavra, em “dream/merda” uma simples mudança de lugar das letras da palavra dream, resulta na palavra merda, gerando uma re-significação rica em associações. Há também poesia visual: em “cicatriz” a palavra dor aparece escrita em braile fixada na pele, em “péssarinho” dois pés juntos imitam o vôo de um pássaro.

Embora o concretismo permeie todo o livro, seria equivocado impingir um dogma à poesia de Marcelo Sahea, sua poética verbicovisual prescinde qualquer tipo de camisa de força, é carne viva à flor da pele.